Já lá vai um ano,
mais ou menos, que foi publicada a última notícia sobre a alegada agressão do
xeque Munir à sua mulher. Na altura, não ouve ninguém que não referisse o
facto, com
imagens da senhora a sangrar do nariz. Soube-se, dias depois, que a mulher
do xeque Munir tinha sido expulsa
da Mesquita de Lisboa, onde residia com o marido. E a seguir, uma pesada
cortina de silêncio caiu sobre o assunto. Nunca mais houve uma notícia, sequer,
a dar conta da evolução do caso. Nenhum jornalista ficou curioso? Nenhum tentou
saber o que aconteceu? Houve divórcio? Amigável? Litigioso?
Acho (pouca)
piada que este silêncio se estenda de uma ponta à outra da nossa Comunicação Social
e abranja, até, jornais como o Correio da Manhã que, muitas vezes, "mija
fora do penico". Neste caso, terá apontado a sua "caneta" ao
mesmo recipiente que os outros. Quem lançou esta cortina de silêncio sobre um
assunto extremamente incómodo para o xeque Munir e para o presidente da
Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Karim Vakil? Quem conseguiu, de forma
tão abrupta, contundente e eficaz, enterrar esta história da alegada agressão
do xeque Munir à sua mulher? Quem conseguiu meter no mesmo saco jornais como O Diabo e o Correio da Manhã, televisões como a impiedosa TVI e a
sedenta SIC?
Tenho alguma
experiência pessoal da capacidade, persistência e determinação do lobi
muçulmano português, quando alguma notícia coloca em causa a fachada da sua
comunidade, tão àrduamente construída. Deu-se o caso de, n'O Independente, ter
publicado algumas notícias pouco agradáveis para eles. Por exemplo, uma notícia
sobre a recomendação do angélico xeque Munir, aos crentes, após as orações na
mesquita, de um livro que era a "Bíblia" de um grupo de extremistas.
Ainda a tinta dessa edição não tinha secado e já um familiar de Abdool Karim
Vakil telefonava à directora d'O Independente, a oferecer-se para imprimir o
jornal, muito mais barato - imagina-se a troco de quê...
Eu gostava muito
de conhecer a
lista de jornalistas avençados pelo BES, que nos foi prometida há mais de
100 dias, pelos jornalistas encarregues, em Portugal , da investigação dos
"Papéis do Panamá". Mas também gostava muito de saber o que é que
aconteceu ao caso da alegada agressão do iman da Mesquita de Lisboa, xeque Daud
Munir à sua esposa, Nazira Barakzay.




















