domingo, 25 de março de 2018

Yiossuf Adamgy não é "Charlie". Sobre a morte dos 12 jornalistas franceses, lamenta mas diz que "os excessos devem ser punidos"


O semanário "Expresso" colocou, em 2015, várias questões a Yiossuf M. Adamgy, editor da revista Al-Furqán e, desde a semana passada, orgulhoso detentor da "Ordem da Liberdade", como todo e qualquer membro da Comunidade Islâmica de Lisboa (atribuída pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa), a propósito do atentado contra o "Charlie Hebdo". É necessário, no entanto, ter em conta que são muitas, profundas e até anedóticas, as limitações intelectuais e culturais deste divulgador do Islão. Entre outras coisas, é um partidário das fábulas segundo as quais meio-mundo de gente famosa (Jean Jaques-Cousteau é um exemplo) se converteram ao Islamismo.

As respostas ao Expresso foram um primor de ódio, hipocrisia e intolerância, em tudo semelhantes a outros comentários e tomadas de posição deste extremista, como aconteceu no caso do assassíbio do cineaste holandês Theo Van Gogh. Disse Adamgy, sobre o atentado contra o jornal francês, que "a maioria (dos membros da comunidade islâmica portuguesa) condenou e condena os atentados em Paris" e que "acham (?) que nenhum dos cartoonistas 'mereceu' levar um tiro." Mas esses mesmos muçulmanos "não subscrevem a onda de solidariedade 'Je Suis Charlie", acrescenta este muçulmano natural de Moçambique. 

"Na religião islâmica há um princípio sagrado que diz que o profeta Maomé não pode ser retratado de forma alguma. Esse é um preceito central da crença islâmica e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos, pior ainda com ofensas (...) Poderá invocar-se que uma das defesas comuns ao estilo do 'Charlie Hebdo' é dizer que eles também criticavam católicos e judeus. Se as outras religiões não reagem ou não reagiram à ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado", argumentava esta conhecida figura da Comunidade Islâmica de Lisboa

"Os terroristas representam o que há de pior na humanidade", reconheceu então Yiossuf Adamgy. "Mas é um facto que o atentado poderia ter sido evitado", na sua opinião. Para isso, "bastava que a justiça tivesse punido a "Charlie Hebdo" no primeiro excesso. Liberdade de expressão tem limites. Que se traçasse uma linha que dissesse: 'Desse ponto, não se deve passar."

De salientar que esta figura de destaque da comunidade islâmica portuguesa tem uma ideia muto original sobre o 11 de Setembro: foi tudo uma encenação feita pelos americanos, até porque, como ele próprio escreveu, "a promoção mediática da figura de Bin Laden como um "ídolo" para as massas muçulmanas fracassou estrondosamente. A imensa maioria dos muçulmanos considera-o um agente da CIA" e, além do mais, "cada vez que sai um vídeo onde um sósia de Bin Laden apela à 'jihad contra os infiéis', Bolsa em Nova Iorque sobe."

Este muçulmano português defensor da lapidação das mulheres adúlteras (1) acaba por dar com a língua nos dentes, revelando o que lhe vai realmente na alma, em relação aos 12 jornalistas assassinados nas instalações do "Charlie Hebdo": tiveram apenas o que mereciam. Por outas palavras - aquelas que ele usa ao responder ao Expresso - "os excessos devem ser punidos. Não é 'não fale'. É 'falem, mas aguentem as consequências".

Ou seja, sr. Yiossuf M. Adamgy, se falarem e depois levarem um tiro no meio dos olhos, é um tiro bem dado, certo? Como você bem disse, "falem, mas aguentem as consequências". 

(1) Nota: Yiossuf M.Adamgy e o seu claro, público e notório apoio à lapidação das mulheres adúlteras, através da aplicação da Sharia, expresso numa carta enviada ao jornal "Público":
No que respeita ao caso Amina Lawal, levantado pelo sr. Luís Rodrigues, devo dizer que fui dos primeiros a responder na comunicação social, nos meados de Setembro de 2002. Sobre Amina Lawal, muçulmana, pairava acusação de adultério, sem a apresentação de quatro testemunhas oculares, que a lei da "sharia" exige. E ela parece que sempre negou ter praticado o adultério. Se assim foi (...) penso que não haverá lugar a aplicação dessa pena a Amina Laval. E digo isso tendo por base o que diz a respeito desta matéria o Alcorão: "Quanto àquela que de entre as vossas mulheres são culpadas de adultério, chamai quatro testemunhas de entre vós que deponham contra elas" (Alcorão, 4:15). De notar a forma de proteger a honra da mulher, é exigida pela "sharia" uma rigorosa evidência, ou seja, a evidência de quatro, em lugar das usuais duas testemunhas, o que é quase impossível. (...)
in Picuinhices
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