segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Jornalistas de cócoras?

Já lá vai um ano, mais ou menos, que foi publicada a última notícia sobre a alegada agressão do xeque Munir à sua mulher. Na altura, não ouve ninguém que não referisse o facto, com imagens da senhora a sangrar do nariz. Soube-se, dias depois, que a mulher do xeque Munir tinha sido expulsa da Mesquita de Lisboa, onde residia com o marido. E a seguir, uma pesada cortina de silêncio caiu sobre o assunto. Nunca mais houve uma notícia, sequer, a dar conta da evolução do caso. Nenhum jornalista ficou curioso? Nenhum tentou saber o que aconteceu? Houve divórcio? Amigável? Litigioso? Como ficou a agressão? O que concluiu a polícia? Que houve agressão? Que Munir foi o agressor? A senhora é bipolar, como acusou o xeque Munir? Foi auto-agressão? Tentaram saber mas foram amordaçados? Mandaram-os ajoelhar e colocaram-lhes uma coleira? Fizeram-nos sentar no chão, abanar o rabo e deitar a língua de fora?

Acho (pouca) piada que este silêncio se estenda de uma ponta à outra da nossa Comunicação Social e abranja, até, jornais como o Correio da Manhã que, muitas vezes, "mija fora do penico". Neste caso, terá apontado a sua "caneta" ao mesmo recipiente que os outros. Quem lançou esta cortina de silêncio sobre um assunto extremamente incómodo para o xeque Munir e para o presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Karim Vakil? Quem conseguiu, de forma tão abrupta, contundente e eficaz, enterrar esta história da alegada agressão do xeque Munir à sua mulher? Quem conseguiu meter no mesmo saco jornais como O Diabo e o Correio da Manhã, televisões como a impiedosa TVI e a sedenta SIC?

Tenho alguma experiência pessoal da capacidade, persistência e determinação do lobi muçulmano português, quando alguma notícia coloca em causa a fachada da sua comunidade, tão àrduamente construída. Deu-se o caso de, n'O Independente, ter publicado algumas notícias pouco agradáveis para eles. Por exemplo, uma notícia sobre a recomendação do angélico xeque Munir, aos crentes, após as orações na mesquita, de um livro que era a "Bíblia" de um grupo de extremistas. Ainda a tinta dessa edição não tinha secado e já um familiar de Abdool Karim Vakil telefonava à directora d'O Independente, a oferecer-se para imprimir o jornal, muito mais barato - imagina-se a troco de quê...


Eu gostava muito de conhecer a lista de jornalistas avençados pelo BES, que nos foi prometida há mais de 100 dias, pelos jornalistas encarregues, em Portugal, da investigação dos "Papéis do Panamá". Mas também gostava muito de saber o que é que aconteceu ao caso da alegada agressão do iman da Mesquita de Lisboa, xeque Daud Munir à sua esposa, Nazira Barakzay.